terça-feira, 16 de abril de 2013

A realidade por trás do evento desportivo

Texto em solidariedade à todas as mulheres que foram traficadas, violentadas e mercantilizadas nos mais de 70 anos de copa do mundo. Não queremos que nenhuma mulher na África do Sul, Alemanha, Brasil ou qualquer outro lugar se submeta ao mercado do sexo e à todas as violências e opressões que os mega-eventos têm causado às mulheres historicamente nos mais diversos países do mundo. Este texto também é uma denúncia e um chamado de alerta para o que tem sido feito e ainda pode ser feito no Brasil  pelas instâncias de poder para legalizar esse mercado que só beneficia o capitalismo patriarcal. Seguiremos juntas e em marcha até que todas sejamos livres!

Por Martha Yanneth Valenzuela R. 

Há oitenta anos, o campeonato mundial de futebol, numa espiral crescente de investimentos de capital, mercado de emoções, indústrias culturais, acertos geopolíticos e tráficos legais e ilegais, congrega multidões em torno deste fenômeno desportivo que permite várias abordagens. O mundial de futebol foi institucionalizado em 1930, no Uruguai, e já foram 18 os encontros mundiais celebrados, até este primeiro evento no continente africano. A cada vez são incorporados novos elementos que se instalam nos cenários da globalização neoliberal, ou capitalista.

As conjunturas do desenvolvimento capitalista interferiram nas transformações deste esporte , o que se pode perceber quando o “fordismo” das décadas de 30 e 40 – no enfoque pós crise de 29 – substituiu as condições técnicas iniciais pelas táticas e a sistematização do jogo em equipe. O futebol contemporâneo é um dos principais negócios dos esportes tradicionais, infiltrado pelo capitalismo financeiro com o imenso negócio das marcas, a publicidade e o mundo do marketing midiático, inclusive incorporando os tráficos e consumos ilegais dos tempos de globalização.

Desde a abertura do Campeonato Mundial de 2010, com sede na África do Sul, milhões de telespectadores centraram sua atenção nas partidas de futebol, enquanto se põem entre parênteses as profundas desigualdades sociais e econômicas, próprias do mundo contemporâneo. Na Colômbia, apesar de não haver participação da seleção nacional no evento, a atenção se concentra nos jogos de equipes estrangeiras, enquanto se mantém ou aumenta o desemprego, a crise política, os escândalos de corrupção, a violação de direitos – humanos e outros -, enquanto os apresentadores dos noticiários de jornais, rádios e televisões se dedicam a descrever a piada ou o gol do dia, durante o mês inteiro.

O futebol e o campeonato foram transformados em mercadoria. Antes, o esporte estava nas mãos de sociedades desportivas mas, há muitos anos, as sociedades desportivas se transformaram em sociedades anônimas, sendo esta uma das grandes vitórias do capitalismo e da propriedade privada sobre a propriedade pública. São muitos os interesses em torno do futebol, sobretudo ao se tratar de um campeonato mundial. Por aqui desfilam os proprietários dos clubes, empresas desportivas, empresas publicitárias, meios de comunicação e até jogadores, que fazem tratos com marcas desportivas e obtêm enormes ganhos com publicidade.

Os maiores lucros e rendimentos de um encontro de massas, como é o mundial de futebol, têm um caráter privado. Por exemplo, a audiência das partidas finais do mundial na Alemanha de 2006 chegou a 330 milhões de espectadores, pelo que a FIFA obteve ganhos de 1 bilhão e 800 milhões de dólares, de fornecedores e direitos de televisionamento, destacando-se, assim, o caráter privado do aproveitamento dos resultados de um fenômeno que agrega milhões de pessoas, fato que caracteriza a essência do capitalismo: algo acontece por obra de muitos, mas são poucos a lucrar e de forma exorbitante.

O campeonato mundial de futebol acaba sendo um negócio multimilionário que move 500 bilhões de dólares anuais e que, este ano, está num país com 40% de desemprego e onde mais da metade da população vive com menos de 1 dólar por dia. A maioria da população desempregada criou ilusões com a crescente indústria do turismo, que se preparou para receber aos milhares de torcedores. Mas as menos beneficiadas, neste país, pela conjuntura futebolística, são as pessoas que vivem abaixo do nível de pobreza, a metade da população. É público que a indústria turística oferece trabalhos temporários e mal pagos. Além disso, a organização do turismo fortalece as configurações e categorias sociais que excluem os setores marginalizados da sociedade. As hierarquias de raça, gênero, idade e classe pesam nos critérios para designação de trabalhos, no setor turístico.

A pobreza extrema, a prostituição e o tráfico de mulheres são algumas caras ocultas do mundial de futebol na África do Sul, o que se tentou esconder com campanhas do governo sulafricano para “varrer” mendigos e prostitutas das ruas das principais cidades. O governo fez o que disse um inspetor da FIFA, quando declarou à imprensa que os espectadores não desejavam ver “favelas e pobreza” na televisão. A principal tarefa da FIFA é abrir mercados e o país organizador deve ceder-lhe os direitos para tudo, desde a publicidade e o comércio, até o controle dos espaços que circundam os estádios, convertendo-se a FIFA numa espécie de estado soberano nos estádios onde se jogue o mundial.

A cada quatro anos é posta em jogo uma soma multimilionária em negócios lícitos, mas também uma incalculável quantia em negócios ilícitos, como a prostituição e o tráfico de mulheres. O mundial da Alemanha marcou a conexão entre o futebol e a compra de sexo. Junto com o álcool, a Alemanha se preparou para vender, oferecer outro “produto”, de maneira aberta: mulheres. Para entrar no tom dos requisitos desta indústria capitalista, a Alemanha, em 2006, legalizou a indústria sexual. Entre os milhões de pessoas que viajaram à Alemanha, durante a copa mundial da FIFA, muitas foram contra a vontade, mulheres jovens, meninas e meninos, vítimas do tráfico humano para a exploração sexual, procedentes de países pobres da África e da Europa oriental.

Nas principais cidades alemãs foram inauguradas centenas de mega-bordéis. Por exemplo, em Berlim, a poucos metros da conhecida porta de Brademburgo, milhares de pessoas visitaram a chamada “Milha do torcedor”, um grande corredor formado por tendas, dotados de telas gigantes e que se caracterizou pela venda de cerveja e outras substâncias, e pela afluência de turistas a prostíbulos de diferentes classes. Nesta cidade se construiu um mega-bordel de 3 mil metros quadrados, bem perto do principal estádio do mundial, o qual se dava ao luxo de informar que chegou a atender até 650 clientes, simultaneamente. Não foi exagero o nome de “Cidade do Sexo”, adotado por Berlim naqueles dias.

Mais de 40 mil mulheres foram necessárias para satisfazer a demanda dos bordéis adicionais que se instalaram, e mais da metade delas foram enganadas com falsas promessas de empregos temporários ou simplesmente raptadas dos países de origem, convertidas em escravas sexuais. A poucos dias da abertura da Alemanha-2006, as autoridades começaram a receber ligações de mulheres que denunciavam situações de escravidão sexual e solicitavam ajuda. Foram muitos os centros médicos e clínicas alemãs a atenderem mulheres vítimas de violações múltiplas e outros maus tratos. Mulheres procedentes de países pobres que chegaram à Alemanha denunciaram terem sido obrigadas por agenciadores a ter sexo com grupos inteiros de torcedores.

Várias organizações sociais e civis denunciaram o aumento do tráfico humano com fins sexuais, durante o mês que durou o campeonato de futebol na Alemanha. A organização internacional feminista “Coalizão contra o tráfico de mulheres” lançou uma campanha mundial para protestar contra a promoção e o desdobramento público da prostituição na Alemanha, durante o mundial. A associação de futebol sueca foi pressionada para que sua seleção se retirasse do mundial, entendendo que a Suécia tem um histórico rígido em restrição à prostituição, já que este país, no final da década de 90, penalizou não só a prestação de serviços sexuais como, mais severamente, a compra e distribuição, depois de uma prolongada campanha feminista, apoiada por muitas parlamentares.

Apesar das diversas demandas, por parte da sociedade e organizações de caráter feminista, o governo alemão manteve a liberação e suas conseqüências. No contexto de demandas e denúncias, criticou-se a frieza da FIFA, quando lhe foi solicitado colocar na sua página da web informações sobre a prostituição forçada, com o objetivo de sensibilizar o público. Porta-vozes de seleções, como a inglesa, mostraram uma indiferença total pelo tema e, em várias ocasiões, declararam que o caso das mulheres e do tráfico de mulheres não era da sua alçada, dizendo que “as mulheres não nos importam”. Os mundiais de futebol acabaram sendo a oportunidade para mudar as leis. Não podemos esquecer que qualquer país que deseje organizar uma Copa do Mundo deve se submeter à autoridade da FIFA, o que inclui mudanças na legislação.

A Copa Mundial de Futebol, na África do Sul, não escapou de pressões neste sentido. A FIFA forçou o governo sulafricano a liberar a prostituição, argumentando que os torcedores estavam considerando ir ou não ao país, por medo de serem contagiados pelo vírus da AIDS e que a solução alemã, de construir mega-bordéis em áreas-chave das cidades sulafricanas, resolveria. Recordemos que, lamentavelmente, a África do Sul ocupa o primeiro lugar em pessoas contagiadas pelo vírus. De 48 milhões de habitantes, 6 milhões vivem com o HIV. O jornal britânico “The Guardian”, justificou a relação futebol-sexo, em artigo que exige a legalização da prostituição na África do Sul, pelo menos durante o tempo do mundial, já que os eufóricos torcedores correm o risco de contrair o HIV, se não for regulado o mercado sexual.

Exercer a prostituição, na África do Sul, continua sendo um delito tipificado, no qual as trabalhadoras sexuais devem pagar multas exorbitantes, enquando cafetões e traficantes seguem lucrando incalculáveis somas. O tráfico de seres humanos, atualmente, é considerado um dos maiores negócios do capitalismo criminoso do mundo. O tráfico de mulheres para o mercado sexual sulafricano aumentou vertiginosamente, pelo incremento do turismo sexual em torno do mundial. Estudos da pesquisadora zambiana Merad Kambamu, revelam denúncias e provas da crescente desaparição de mulheres jovens e meninas de toda a região, que aparecem em bordéis e casas de massagem, nas grandes cidades da África do Sul. Silvia Mahumane, porta-voz da polícia de Maputo, declarou a existência de redes que se dedicam ao tráfico de mulheres que as vendem a 670 dólares cada uma.

O futebol se configurou como um espaço construído para os arquétipos da masculinidade do capitalismo patriarcal, no que se permitem manifestações que não se mostrariam, nem se aceitaria, em outros espaços. Por isso, torna-se repugnante a naturalização feita da relação entre compra de sexo e futebol, com o argumento de que os fãs não só mostram uma sede insaciável de futebol e álcool, mas também demandam sexo pago para saciar seu fanatismo viril. Assim, fica demonstrado o espetacular triunfo do capitalismo patriarcal, que penetra os mais íntimos desejos de consumo pessoal.

Vemos, então, que a imagem feminina e o corpo das mulheres são usados como mercadoria. A prostituição e sua conexão com o tráfico de mulheres andam ao redor destes acontecimentos desportivos, com ranços machistas, mistura de cafetinismo e exploração humana, que oferece sexo ao público, junto ao estádio. A celebração de grandes eventos desportivos, como é um mundial de futebol, tem associadas agressões sexuais às mulheres e outras formas de violência de gênero, como é a prostituição, até um extremo que reclama uma séria reflexão.

Fonte: Boletim da Telesur de 1 de julho de 2010      

segunda-feira, 25 de março de 2013

Fora Feliciano!

Estamos diante de um momento de extrema indignação. Não somente por Marco Feliciano,  um fundamentalista religioso, machista, misógino, racista e homofóbico, estar à frente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara do Deputados. Nossa indignação é também com a sua persistência em se manter no cargo, após tantas declarações e ofensivas contra àqueles que, supostamente, deveria prezar, zelar, defender.
Permitir a sua gestão na comissão é simplesmente dar muitos passos para trás, é abdicar de direitos conquistados historicamente por inúmeros movimentos sociais que vêm justamente combater a bancada religiosa conservadora nos espaços políticos de nosso país, bancada esta que atravanca a discussão sobre o aborto, que condena casamentos entre homossexuais, que torna nosso Estado tudo que se possa imaginar, menos laico!
Em entrevista sobre seu livro "Religiões e política: uma análise sobre a atuação de parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e LGBTs no Brasil", Feliciano ataca uma das reinvidicações feministas mais atingas do movimento que é a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Também defende a família patriarcal, conservadora que busca historicamente a manutenção do sistema que privilegia o homem na ocupação do espaço público e a mulher do privado, e que responsabiliza as mulheres pelos cuidados da casa, filhos e família, aprisionando-as e submetendo-as à não participação das mudanças da sociedade. Por último, esse pequeno trecho, consegue condenar também a união homoafetiva, alegando que esta destrói a família, tomando como a família patriarcal com a figura central do homem que subordina uma mulher, a única e possível forma de formação familiar:

"Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, e que vão gozar dos prazeres de uma união e não vão ter filhos. Eu vejo de uma maneira sutil atingir a família; quando você estimula as pessoas a liberarem os seus instintos e conviverem com pessoas do mesmo sexo, você destrói a família, cria-se uma sociedade onde só tem homossexuais, você vê que essa sociedade tende a desaparecer porque ela não gera filhos"


Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/marco-feliciano-diz-que-direitos-das-mulheres-atingem-familia-7889259

Claro, que aqui não viemos discutir as religiões, muito menos generalizar nossa crítica, sabemos que o Feliciano não representa muita gente. Prezamos pela diversidade e liberdade de crenças e pelo respeito mútuo entre cada uma delas. Nos propomos sim, a ter um debate crítico sobre as representações fundamentalistas que estão à frente de nossa política e condenar qualquer ato dessa elite de poder que busca a manutenção das formas de opressão existentes em nossa sociedade.




Queremos mudar essa sociedade e por isso que nós, mulheres, feministas, da Marcha Mundial das Mulheres repudiamos a presença de Marco Feliciano na Comissão de DH.

Junte-se a nós no ato FORA FELICIANO! , que ocorrerá na terça-feira, 26/04 às 17h na Praça XV, Rio de Janeiro. Não nos calaremos diante desse retrocesso, marcharemos até que todas sejamos livres!


sábado, 19 de maio de 2012

O que está em jogo na Rio+20

A um mês da conferência das Nações Unidas Rio+20, os povos do mundo não veem resultados positivos no processo de negociação que está ocorrendo na conferência oficial. Ali não se está discutindo um balanço do cumprimento dos acordos alcançados na Rio 92, ou como mudar as causas da crise. O foco da discussão é um pacote de propostas enganosamente chamado de “economia verde” e a instauração de um novo sistema de governo ambiental internacional que o facilite.

A verdadeira causa estrutural das múltiplas crises é o capitalismo, com suas formas clássicas e renovadas de dominação, que concentra a riqueza e produz desigualdades sociais, desemprego, violência contra o povo e a criminalização de quem os denuncia. O sistema de produção e o consumo atual – representados por grandes corporações, mercados financeiros e os governos que garantem sua manutenção – produzem e aprofundam o aquecimento global e a crise climática, a fome e a desnutrição, a perda de florestas e da diversidade biológica e sócio-cultural, a contaminação química, a escassez de água potável, a desertificação crescente dos solos, a acidificação dos mares, a grilagem de terras e a mercantilização de todos os aspectos da vida nas cidades e no campo .

A “economia verde”, ao contrário do que o seu nome sugere, é outra fase da acumulação capitalista. Nada na “economia verde” questiona ou substitui a economia baseada no extrativismo de combustíveis fósseis, nem os seus padrões de consumo e produção industrial. Essa economia estende a economia exploradora das pessoas e do ambiente para novas áreas, alimentando assim o mito de que é possível o crescimento econômico infinito.

O falido modelo econômico, agora disfarçado de verde, pretende submeter todos os ciclos vitais da natureza às regras do mercado e ao domínio da tecnologia, da privatização e da mercantilização da natureza e suas funções. Assim como dos conhecimentos tradicionais, aumentando os mercados financeiros especulativos através dos mercados de carbono, de serviços ambientais, de compensações por biodiversidade e o mecanismo REDD+ (Redução de emissões por desmatamento evitado e degradação florestal).

Os transgênicos, os agrotóxicos, a tecnologia Terminator, os agrocombustíveis, a nanotecnologia, a biologia sintética, a vida artificial, a geo-engenharia e a energia nuclear, entre outros, são apresentados como “soluções tecnológicas” para os limites naturais do planeta e para as múltiplas crises, sem abordar as causas verdadeiras que as provocam.

Além disso, se promove a expansão do sistema alimentício agroindustrial, um dos maiores fatores causadores das crises climáticas, ambientais, econômicas e sociais, aprofundando a especulação com os alimentos. Com isso se favorece os interesses das corporações do agronegócio em detrimento da produção local, campesina, familiar, dos povos indígenas e das populações tradicionais, afetando a saúde de todos.

Como uma estratégia de negociação na conferência Rio+20, alguns governos de países ricos estão propondo um retrocesso dos princípios da Rio 92, como o princípio de responsabilidades comuns e diferenciadas, o princípio da precaução, o direito à informação e participação. Estão ameaçados direitos já consolidados, como os dos povos indígenas e populações tradicionais, dos camponeses, o direito humano à água, os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, dos imigrantes, o direito à alimentação, à habitação, à cidade, os direitos da juventude e das mulheres, o direito à saúde sexual e reprodutiva, à educação e também os direitos culturais.

Está se tentando instalar os chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que serão utilizados para promover a “economia verde”, enfraquecendo ainda mais os já insuficientes Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

O processo oficial propõe estabelecer formas de governança ambiental mundial que sirvam como administradores e facilitadores desta “economia verde”, com o protagonismo do Banco Mundial e outras instituições financeiras públicas ou privadas, nacionais e internacionais, que irão incentivar um novo ciclo de endividamento e ajustes estruturais disfarçados de verde. Não pode existir governança global democrática sem terminar com a atual captura corporativa das Nações Unidas.

Repudiamos este processo e conclamamos todos para que venham fortalecer as manifestações e construções de alternativas em todo o mundo.

Lutamos por uma mudança radical no atual modelo de produção e consumo, consolidando o nosso direito para nos desenvolvermos com modelos alternativos com base nas múltiplas realidades e vivências dos povos, genuinamente democráticas, respeitando os direitos humanos e coletivos, em harmonia com a natureza e com a justiça social e ambiental.

Afirmamos a construção coletiva de novos paradigmas baseados na soberania alimentar, na agroecologia e na economia solidária, na defesa da vida e dos bens comuns, na afirmação de todos os direitos ameaçados, o direito à terra e ao território, o direito à cidade, os direitos da natureza e das futuras gerações e a eliminação de toda forma de colonialismo e imperialismo.

Conclamamos todos os povos do mundo a apoiarem a luta do povo brasileiro contra a destruição de um dos mais importantes quadros legais de proteção às florestas (Código Florestal), o que abre caminhos para mais desmatamentos em favor dos interesses do agronegócio e da ampliação da monocultura; e contra a implementação do mega projeto hidráulico de Belo Monte, que afeta a sobrevivência e as formas de vida dos povos da selva e a biodiversidade amazônica.

Reiteramos o convite para participação na Cúpula dos Povos que se realizará de 15 a 23 de junho no Rio de Janeiro. Será um ponto importante na trajetória das lutas globais por justiça social e ambiental que estamos construindo desde a Rio-92, particularmente a partir de Seattle, FSM, Cochabamba, onde se têm catapultado as lutas contra a OMC e a ALCA, pela justiça climática e contra o G-20. Incluímos também as mobilizações de massa como Occupy, indignados, a luta dos estudantes do Chile e de outros países e a primavera árabe.

Convocamos todos para que participem da mobilização global de 5 de junho (Dia Mundial do Ambiente); da mobilização do dia 18 de junho, contra o G20 (que desta vez se concentrará no “crescimento verde”) e na marcha da Cúpula dos Povos, no dia 20 junho, no Rio de Janeiro e no mundo, por justiça social e ambiental, contra a “economia verde”, a mercantilização da vida e da natureza e em defesa dos bens comuns e dos direitos dos povos.

Rio de Janeiro, 12 de maio de 2012

Assinam:
Grupo de Articulação Nacional e Internacional da Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental*.
Concorda com os pontos desta carta? Envie um e-mail para gainter@rio2012.org.br e peça a inclusão do nome da sua entidade na assinatura.

______________________________
*O Grupo de Articulação (GA) Internacional do Comitê Facilitador para a Sociedade Civil na Rio+20 (CFSC) da Cúpula dos Povos é formado por 35 redes, organizações e movimentos sociais de 13 diferentes países. Seus representantes trabalham junto ao GA Nacional (com 40 redes representadas) na coordenação metodológica e política da Cúpula dos Povos, evento paralelo e crítico à Rio+20, que vai reunir milhares de pessoas no Aterro do Flamengo, de 15 a 23 de junho.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Reunião da MMM-RJ dia 15 de maio

A próxima reunião da Marcha Mundial das Mulheres/RJ será dia 15 de maio (terça-feira), às 18h, no Sinpro, que fica na Rua Pedro Lessa, 35, 3º andar, Centro, Rio de Janeiro, próximo à Cinelândia.

Na pauta a nossa organização e mobilização para a Cúpula dos Povos na Rio+20.

Mulheres em luta contra a mercantilização da natureza e da vida!



terça-feira, 17 de abril de 2012

O machismo não tem graça! Nota de repúdio à charge do jornal O Globo.


Nós, mulheres e feministas da Marcha Mundial de Mulheres do Rio de Janeiro repudiamos a charge de hoje, 17 de abril, publicada na capa do jornal O Globo. A charge sugere que mulheres, mesmo em posições de liderança, estão sempre submetidas aos homens, suas ordens e escolhas, o que nos torna, mais uma vez, objeto de um imaginário machista onde nós, mulheres, somos desqualificadas continuamente.

O machismo atua baseado em um repertório de simbologias, discursos, crenças e piadas que se concretizam na pratica produzindo um mundo extremamente desigual. No Brasil, a cada 15 segundos uma mulher sofre algum tipo de violência. Nós, mulheres continuamos ganhando em média 30% a menos do que os homens, mesmo quando ocupamos a mesma função. Nós, mulheres, trabalhamos 16 horas semanais a mais do que os homens e ainda sim somos as mais pobres. Nós, mulheres, estamos nas ocupações e empregos mais precarizados, inseguros e sem direitos. Nós, mulheres feministas, ainda lutamos para ocupar os espaços de poder e para que desta forma possamos contribuir para a transformação do mundo rumo à igualdade e emancipação.

A piada sugerida pela charge só nos mostra o quanto ainda temos que caminhar na construção de um mundo onde as mulheres possam exercer sua autonomia e liberdade, a favor de uma sociedade sem opressões e explorações de qualquer tipo. O machismo não tem a menor graça e a nossa luta pela ampliação da participação de mulheres no poder não pode ser ridicularizada. Nós, feministas, repudiamos a charge de hoje assim como repudiamos a desigualdade e violência produzidas pelo machismo em nossa sociedade.



                                         Continuaremos marchando, até que todas nós sejamos livres!

                                                                           MMM- RJ

domingo, 15 de abril de 2012

Um passo à frente.... mas sem dois atrás! A luta pelo direito ao aborto legal e seguro continua.



No último dia 12 o Supremo Tribunal Federal decidiu autorizar a interrupção da gravidez em casos de fetos anencéfalos. Sem dúvida é uma vitória para o movimento feminista e para as centenas de mulheres que antes disso se submetiam a uma gravidez de nove meses de um feto que nasce morto. Dos países membros das nações unidas 94 já permitem esse tipo de intervenção incluindo países com fortes tradições católicas como o México, Portugal, Itália. Apesar do progresso que tivemos com a decisão do STF, uma ánalise mais atenta sobre as falas e discursos dos ministros que votaram à favor da legalização nesse caso de exceção nos mostra que o conservadorismo equivocado em relação ao tema continua pairando sobre a sociedade brasileira e mais do que nunca as feministas precisam estar atentas e de prontidão para seguirmos em marcha na luta pela legalização do aborto.

O Ministro Marco Aurélio de Mello, relator do processo em julgamento no STF, apesar de orientar sua fala pela defesa da laicidade do Estado, permanece defendendo o que para nós é um discurso marcado pelo conservadorismo e que nada tem a ver com o acúmulo da discussão feminista sobre o tema. Disse o ministro:

“Aborto é crime contra a vida. Tutela-se a vida em potencial. No caso do anencéfalo, não existe vida possível. O feto anencéfalo é biologicamente vivo, por ser formado por células vivas, e juridicamente morto, não gozando de proteção estatal”.

A afirmação de que o aborto é crime contra vida e, portanto, pode ser realizado no caso de fetos sem vida é uma afirmação que só atenta contra os avanços na direção de uma ampliação do direito ao aborto no Brasil. Nós feministas achamos que o aborto ilegal e inseguro é sim um crime contra a vida, no entanto nós estamos falando da vida das mulheres – já que ainda é a 3° causa de morte materna no Brasil – ao contrario do que afirma o ministro. Continuar insistindo no discurso de que o aborto é assassinato contra o "feto" é fortalecer a idéia de que a vida começa a partir da concepção, é contribuir para as concepções religiosas de vida - o que contradiz a própria defesa do Estado laico -  e por fim é continuar negando e invisibilizando a autonomia das mulheres sobre seus corpos e suas vidas.

O debate em torno da questão da legalização do aborto no caso da anencefalia, no entanto, nos abre um bom precedente jurídico que pode contribuir para a luta pela legalização ampla, segura e irrestrita do aborto. Se o cérebro pode ser considerado um elemento fundamental para a existência da vida, então o que fazer com a constatação de que só existe atividade cerebral no feto a partir da 12º semana? A gravidez pode ser interrompida e o aborto, enfim, legalizado antes disso?

O que nos importa, no entanto, é continuar afirmando que a luta pela legalização do aborto passa necessariamente pelo convencimento da sociedade, pela disputa no congresso nacional, pela aliança com as forças progressistas, e sobretudo pela nossa incansável militância. O aborto no Brasil é amplamente praticado, queira o Estado ou não, queira a Igreja ou não. As mulheres de classes privilegiadas tem acesso ao aborto seguro mas as mulheres de classes pobres e desfavorecidas continuam se submetendo à metodos violentos e morrendo por não terem direito à dignidade e autonomia.



Nossa constituição nos garante um direito formal à saúde pública e de qualidade, nos garante direito à dignidade humana, nos garante o direito à liberdade de opinião e de pensamento, mas a criminalização do aborto não nos permite acessar a nossa constituição cidadã.

Continuaremos na luta pelas nossas vidas, pelos nossos corpos, por nossa autonomia e dignidade até que todas sejamos livres!

Alana Moraes
MMM-RJ

Quem ganha e quem perde com o REDD e Pagamento por Serviços Ambientais?

Nosso sábado de formação foi muito gratificante.
Para quem não pode ir, disponibizamos aqui no blog o documento que serviu de base para a apresentação da companheira Maureen Santos. Boa leitura!

Passados quase 20 anos da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92 e da realização de 17 Conferências das Partes (COP) sobre mudanças climáticas, 9 COPs sobre desertificação e 10 sobre biodiversidade, os desequilíbrios climáticos se aceleram pelo mundo, a biodiversidade vegetal e animal está em regressão, os desertos crescem, as florestas e as zonas úmidas encolhem.
Durante este período, várias promessas e medidas foram adotadas por estas Conferências, mas ao contrário do que anunciam, os resultados que estas têm produzido vem nos levando a um processo de mercantilização dos bens comuns e da natureza, que acelera a destruição e a usurpação das florestas, da biodiversidade e dos territórios dos povos e comunidades.

Há uma grande centralidade dada às propostas corporativas e de mercado nas Convenções ambientais. Por exemplo, a criação de instrumentos financeiros como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que oficializa o mercado de carbono como política de combate às mudanças climáticas, e o REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) na Convenção de Clima; e a ferramenta econômica de valoração dos bens e serviços ambientais, o TEEB (Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade) na Convenção da Diversidade Biológica. Propostas que pretendem transferir para o mercado o cumprimento dos objetivos de redução de emissões quanto ao uso sustentável e à conservação da biodiversidade, enfraquecendo tais Convenções como fóruns multilaterais de negociação e atrasando a implementação dos objetivos das mesmas através de políticas sob responsabilidade dos Estados/Nações.

No caso específico do REDD, ao atrair a atenção do mundo sobre a importância das florestas para as mudanças climáticas, ainda que o desmatamento contribua com algo entre 11 e 20% da emissão global de gases de efeito estufa, desvia-se o foco do modelo industrial de produção e consumo desenfreado do Norte e das elites do Sul, principal responsável pelas catástrofes climáticas e a degradação dos ecossistemas, inclusive causa subjacente dos vetores que levam à destruição das florestas.

Neste sentido, o Grupo Carta de Belém formado por redes, organizações e movimentos sociais do Brasil que conformam um campo crítico às propostas de mercantilização dos bens comuns e da financeirização da natureza, pretende com esta publicação: apontar suas preocupações em relação a estes processos em curso; e dar visibilidade as iniciativas populares que devem ser fortalecidas pelo Estado brasileiro, através de políticas públicas estruturantes e eficazes, que fortaleçam as escolhas e os modos de produção sustentáveis da agricultura familiar e camponesa, extrativistas, povos indígenas e comunidades tradicionais associados ao uso sustentável da biodiversidade e da agrobiodiversidade.

Para acessar toda a publicação clique AQUI

sábado, 24 de março de 2012

Moção das Mulheres em apoio a Comissão da Verdade

Mulheres encabeçam passeata contra a censura. Rio de Janeiro, 1968.
Da esquerda para a direita, Eva Todor, Tonia Carreiro, Eva Wilma,
 Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengel. Foto de Agência JB.

A gente conta a História como quem conta histórias. Decorrência de nossa tradição oral.

Histórias de Maria, de Rose, de Nair, de Amelinha, de Clara, de Clarice, de Eleonora, de Dilma, e também de João, de Vlado, de Pedro, de Paulo, de Chico, de Márcio, de José...

Durante anos, sombras dominaram o país por um longo período. Tempos em que se restringiu a liberdade de expressão, de reunião, de informação, de ir-e-vir, de pensar e de agir, da população. Tempos em que as pessoas que te visitavam tinham que se identificar com o zelador, que passava a lista à polícia. Tempos em que não se podia votar, eleger, decidir, escolher.

Uma geração de homens e mulheres valorosos dedicaram os melhores anos de sua vida para restabelecer a democracia que vivemos hoje. Escolheram os caminhos mais diversos – a atividade parlamentar (enquanto ainda não proibida), a luta armada, a greve, o exílio ou auto-exílio, o estudo, a discussão, a resistência, a solidariedade, o apoio, a mobilização nas ruas, mesmo que proibidas.

Enquanto isso, nos porões da ditadura militar, eles se valeram de sua posição de autoridade, de representantes do Estado, para prender, torturar, fazer desaparecer.

Neste processo, as mulheres presas políticas aguentaram requintes de crueldade, sofrendo também constrangimentos, estupros, ameaças de ou torturas inomináveis nascidas de mentes perversas, torturas de seus filhos ante os seus olhos.

Foi também das mulheres a iniciativa de construir o Movimento Feminino pela Anistia, que logo foi engrossado pela sociedade e, em pouco tempo, fomos ficando tantos e tantas, que não houve outra saída senão redemocratizar o país e anistiar a todos.

Essa história, não se conta na escola. Ainda.

Muitos anos depois, ouvindo o nosso clamor, o Congresso finalmente aprova a criação de uma Comissão da Verdade, para averiguar as ignomínias não-esclarecidas. A mídia começa a se ocupar do caso.

O general Rocha Paiva, atribuindo-se o papel de porta-voz, se permite ironizar e duvidar do relato de tortura da atual presidenta Dilma, da causa de morte do Wladimir Herzog, e questionar a legitimidade da estruturação da Comissão.

Pronunciamentos de militares sobre duas de nossas ministras – Maria do Rosário e Eleonora Menicucci – bem como questionando a autoridade do Ministro da Defesa, tentam criar um fato e um constrangimento político.

Por isso nós, mulheres reunidas neste 8 de março – dia internacional da mulher – vimos a público afirmar o nosso apoio integral à Comissão da Verdade.

Que nossa história seja finalmente revelada, que a verdade seja estabelecida, que se revele o destino dos desaparecidos, que se iluminem os porões.

Que se restabeleça a memória e a história, para que nunca mais ninguém se permita tentar reinstituir os mesmos mecanismos de exceção e opressão.


domingo, 18 de março de 2012

Fotos da Ação da MMM no Aterro do Flamengo

Confira as fotos de nossa atividade no Aterro do Flamengo, no domingo, 18 de março.
São as mulheres da Marcha rumo à Cúpula dos Povos na Rio+20 com justiça social e ambiental.

domingo, 11 de março de 2012

Ação Feminista dia 18 de março no Aterro

Ação Feminista no Aterro do Flamengo, no domingo, dia 18 de março, a partir das 10 horas.
Uma atividade da MMM/RJ rumo à Cúpula dos Povos na Rio+20 por justiça social e ambiental.


sábado, 10 de março de 2012

Marcha Mundial das Mulheres- RJ na luta por um projeto justo de desenvolvimento

Se um outro mundo é possivel, chegou a horas das mulheres dizerem qual será ele!

O Brasil hoje vive um momento de inegáveis transformações sociais. Desde 2003 os índices de desemprego são cada vez menores assim como a desigualdade social e a miséria absoluta. Programas de transferência de renda em conjunto com a política de valorização do salário minimo vêm garantindo um acesso mais amplo aos bens de consumo, ao crédito, aos serviços privados. O país cresce economicamente porque, entre outras coisas, o mercado interno se democratiza e o mercado de trabalho aquecido gera maior riqueza produzida pelos trabalhadores e trabalhadoras. Apesar disso não sabemos qual o projeto de sociedade que está por trás dessas mudanças.  A pergunta que fazemos é: será que as transformações recentes e os bons índices econômicos podem nos garantir um outro modelo de sociedade?

Esse ano o Brasil e o Rio de Janeiro em especial vivem um momento de importantes debates e decisões sobre os rumos de nossa sociedade. A Rio+20 que acontecerá em junho é um dos maiores fóruns governamentais do planeta e o que está em jogo é a discussão sobre um novo modelo de relação com o meio ambiente. No entanto, nós dos movimentos sociais, sabemos que os governos assim como a ONU não estão dispostos a propor transformações radicais de ruptura com o modelo capitalista de sociedade. A tarefa de elaborar um outro modelo de desenvolvimento está inteiramente colocada para a sociedade civil que se organiza na Cúpula dos Povos, fórum paralelo à Rio+20, protagonizado pelos movimentos sociais do mundo todo. Não estamos interessadas em metas para viabilizar um “capitalismo verde”, nem mesmo acreditamos em um modelo de sustentabilidade que não cause fissuras ao paradigma capitalista de desenvolvimento. Queremos um outro mundo, sem exploração de qualquer tipo, justo e igualitário.

Nós da Marcha Mundial das Mulheres estamos participando ativamente da construção da Cúpula dos Povos porque acreditamos que o modelo de desenvolvimento em curso no Brasil e no mundo não nos contempla. A pobreza e os desastres ambientais afetam imensamente as mulheres do mundo todo assim como a concentração de terras e a privatização crescente dos bens comuns. As experiências mais vitoriosas de costrução de um outro modelo econômico, como a agroecologia e a economia solidária só são possíveis por conta do protagonismo feminino nessas redes e por isso pensamos que as mulheres tem muito a contribuir para uma sociedade mais justa e solidária.
No Brasil achamos que o modelo de desenvolvimento amplamente baseado no acesso ao mercado de consumo não nos serve. Defendemos a desmercantilização dos serviços básicos e para isso exgimos um fortalecimento da saúde, dos transportes, da educação e dos serviços públicos no geral. Um país justo é um país sem miséria mas com amplo acesso às coisas públicas.

Pedimos o veto da Presidenta Dilma às mudanças nefastas do novo código florestal assim como seu comprometimento com a politica de reforma agrária que se encontra paralisada. O modelo de desenvolvimento do campo baseado no agronegócio é inimigo das mulheres e dos mais pobres porque gera desigualdade, elimina as populações camponesas e contribui para a disseminação de agrotóxicos em nossos aliementos. A agricultura familiar, com o protagonismo das mulheres camponesas, deve ser nossa politica para o campo. Não podemos mais aceitar o exterminio de populações indigenas, seringueiras e ribeirinhas pelos latifundiários!

Um novo modelo de desenvolvimento é possível e ele não será construído pela centralidade da inclusão pelo mercado, mas justamente pela desmercantilização da vida das populações mais pobres através da ampliação do acesso ao público e aos bens comuns. Por uma reforma agrária e pela dignidade da vida no campo que só virá através da aposta na agricultura familiar e não no agronegócio.

Não vamos aceitar um projeto de desenvolvimento urbano que expulse os pobres dos centros das cidades através da crescente especulação imobiliária. Queremos que o acesso à cidade seja uma garantia cidadã assim como a questão do transporte público precisa ser tratada como um direito à cidade e à mobilidade urbana. Os mega eventos como a copa e a olimpíada não podem produzir um processo de exclusão e desapropriação comandado pelo grande capital. As mulheres exigem uma cidade democrática, um transporte público digno e acesso à cultura.

Queremos um modelo de cidade justa e democrática que só será viabilizado pela ampliação dos serviços públicos de qualidade: transporte, alimentação, creches, lavanderias. Só assim haverá uma justa divisão dos trabalhos sociais. O debate sobre um novo modelo de desenvolvimento nos impõe uma tarefa militante: convencer a sociedade de que economia e politica andam juntas e que metas econômicas, assim como a viabilidade do crescimento econômico, não podem ser dimensões apartadas da disputa politica por um novo modelo de sociedade. A marcha mundial das mulheres acredita que o feminismo se faz, entre outras coisas, pela disputa de valores na sociedade, especialmente aqueles ligados à igualdade, justiça e socialização dos bens públicos.

Um outro mundo é possível e chegou a hora de dizer que mundo é esse!

Não há revolução sem feminismo. Não há projeto de desenvolvimento viável sem a luta das mulheres!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Declaração Internacional da MMM para o 8 de março

Neste 8 de março, nós, as mulheres da Marcha Mundial das Mulheres, seguimos marchando, resistindo, e construindo um mundo para nós, os outros, os povos, os seres vivos e a natureza. Nossas ações continuam enfrentando embates com o paradigma mortal do capitalismo, com suas falsas soluções para as crises e com a ideologia fundamentalista conservadora.

Vivemos uma crise do sistema capitalista, racista e patriarcal que, para se sustentar, impõe brutais “medidas de austeridade” que obrigam a nós, os povos, a pagar por uma crise que não provocamos: são cortes nos orçamentos de todos os serviços sociais, diminuição de salários e de pensões, estímulo à guerras e avanço da mercantilização de todas as esferas da vida. Nós, as mulheres, pagamos o preço mais alto: somos as primeiras a ser demitidas e, além das tarefas domésticas mais habituais, somos obrigadas a assumir as funções antes cobertas pelos serviços sociais. Tais medidas carregam o peso da ideologia patriarcal, capitalista e racista e são expressão de políticas de incentivo para que voltemos ao mundo privado, ao mesmo tempo que estimulam o avanço da prostituição e da venda das mulheres, o aumento da violência contra nós, o tráfico e as migrações.

Denunciamos a contínua imposição de acordos de livre comércio, que tentam transformar os bens comuns como saúde, educação e água em mercadorias, e aprofundam um mercado de exploração da mão de obra barata nos países do Sul. Recusamos a cultura do consumo que empobrece mais as comunidades, gerando dependência e exterminando as produções locais.

Nos solidarizamos com as mulheres em luta na Europa, especialmente na Grécia mas também em Portugal, Galicia, Estado Espanhol, Itália e Macedonia, que se estão organizando para resistir à ofensiva neoliberal e retrógrada promovida pelas instituições financeiras e políticas, e seus próprios governos, a serviço dos interesses das corporações transnacionais. Nos solidarizamos também com todas as mulheres do Sul que enfrentam a fome, a pobreza, a superexploração do trabalho e a violência, mas que seguem construindo sua resistência.

Denunciamos o avanço da militarização em todo mundo como estratégia de controle dos nossos corpos, vidas, movimentos e territórios. A militarização garante o neocolonialismo, o novo saque e apropriação do capital sobre os recursos naturais e a manutenção do enriquecimento da indústria armamentista frente à crise. Constatamos com temor a ameaça de retorno do militarismo e do autoritarismo como valores na sociedade em diferentes países ao redor do mundo, como: no Oriente Médio, na Tunisia, Líbia e Egito, onde as mulheres e os povos continuam em luta contra todo tipo de ditadura fundamentalista e por uma verdadeira democracia; na Palestina onde as mulheres lutam contra o colonialismo e o sionismo; em diversos países Africanos – como em Senegal onde o governo se utiliza da força do exército por interesses eleitorais, ou no Mali onde grupos armados aterrorizam a população civil em sua luta pelo controle da região norte; em Honduras, México, Guatemala e Colômbia onde há processos de re-militarização; e em diversos países em Ásia-Oceania onde a presença das tropas militares dos Estados Unidos está sendo reforçada.

Nos solidarizamos com as mulheres e os povos em resistência e luta em todos os territórios que estão em guerra, sob controle militar e em risco de serem controlados, ou aqueles que vivem os impactos nefastos da presença militar estrangeira. Apesar disso, nós, mulheres, continuamos defendendo nosso território, corpo e terra da exploração dos exércitos regulares e irregulares, estatais e privados.

Denunciamos a estratégia coordenada dos meios de comunicação globalizados que buscam revigorar dogmas e valores conservadores, e que põem em risco as conquistas e avanços das mulheres em todo o mundo.

Os espaços de participação são fechados, o protesto é criminalizado, e o direito a decidir sobre nossos corpos é cerceado. Nossa autodeterminação reprodutiva está ameaçada onde a conquistamos, como, por exemplo, em diversos países da Europa (como Portugal e Espanha) e da América do Norte, nos quais o aborto é legalizado, mas este direito é atacado na prática por cortes dos orçamentos públicos que têm como alvo os hospitais e os serviços de interrupção da gravidez. Em muitos outros países, como na América Latina e vários países da Ásia-Oceania, as mulheres que abortam seguem sendo criminalizadas, como no Brasil, Japão e Vanuatu. No México, o aborto é legalizado no Distrito Federal e criminalizado no resto do país. Em Honduras, a pilula do dia seguinte foi proibida. Na Nicarágua, o aborto mesmo em situações de risco de vida para a mãe ou em casos de estupro se torna um crime através de uma Reforma Constitucional. A Rússia segue este exemplo com a primeirda dama à frente de campanhas para proibir o aborto em qualquer situação. Grupos auto-intitulados “pró-vida” defendem na realidade a morte das mulheres, insultam a nós e às profissionais de saúde na América do Norte, pressionam o parlamento para rever a lei na África do Sul e impedem qualquer discussão no Paquistão.

Nos solidarizamos com todas as mulheres que seguem lutando e enfrentando conflitos com a polícia, o Estado e o poder judiciário injusto, bem como com aquelas que enfrentam a violência que sofrem.

Frente a estas situações, estamos nas ruas, temos alternativas que já estamos construindo e vivenciando. Reiteramos que seguiremos nos fortalecendo, a partir de nossos corpos e territórios em resistência, aprofundando nossos sonhos de transformações estruturais em nossas vidas e marchando até que todas sejamos livres!

Fazemos um chamado à articulação de nossos movimentos e às alianças com os outros movimentos sociais, pois só assim construiremos um mundo em liberdade.


Em todo o mundo, 8 de março de 2012

Ato público no dia 8 de março – Dia Internacional da Mulher no Rio de Janeiro


“MULHERES NA RUA CONTRA A VIOLÊNCIA: POR TRABALHO DIGNO, DIREITOS E LEGALIZAÇÃO DO ABORTO”


No dia 8 de março de 2012, o movimento feminista do Rio de Janeiro estará nas ruas para celebrar o Dia Internacional das Mulheres e para levantar nossas bandeiras de lutas.

A partir do meio-dia, as entidades do movimento de  mulheres estarão no Largo da Carioca com uma grande tenda, som, suas faixas e folhetos e a partir das 17:30h, será realizada uma caminhada até a Cinelândia, onde o ato se encerrará com uma ciranda.



domingo, 5 de fevereiro de 2012

Declaração da Assembléia dos Movimentos Sociais - Porto Alegre (RS), Brasil


Nós, povos de todos os continentes, reunidos na Assembléia de Movimentos Sociais realizada durante o Fórum Social Temático Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental, lutamos contra as causas de uma crise sistêmica, que se expressa em uma crise econômica, financeira, política, alimentar e ambiental, colocando em risco a própria sobrevivência da humanidade. A descolonização dos povos oprimidos e o enfrentamento ao imperialismo é o principal desafio dos movimentos sociais de todo o mundo.

Neste espaço, nos reunimos desde nossa diversidade para construir juntos agendas e ações comuns contra o capitalismo, o patriarcado, o racismo e todo tipo de discriminação e exploração. Por isso reafirmamos nossos eixos comuns de luta, adotados em nossa assembléia em Dakar, em 2011:

Luta contra as transnacionais
Luta pela justiça climática e pela soberania alimentar
Luta para banir a violência contra a mulher
Luta pela paz e contra a guerra, o colonialismo, as ocupações e a militarização de nossos territórios

Os povos de todo o mundo sofrem hoje os efeitos do agravamento de uma profunda crise do capitalismo, na qual seus agentes (bancos, transnacionais, conglomerados midiáticos, instituições internacionais e governos servis) buscam potencializar seus lucros às custas de uma política intervencionista e neocolonialista. Guerras, ocupações militares, tratados neoliberais de livre comércio e “medidas de austeridade” expressas em pacotes econômicos que privatizam estatais, arrocham salários, reduzem direitos, multiplicam o desemprego e assaltam os recursos naturais. Tais políticas atingem com intensidade os países mais ricos do Norte, aumentam as migrações, os deslocamentos forçados, os despejos, o endividamento e as desigualdades sociais.

A lógica excludente deste modelo serve tão somente para enriquecer uma pequena elite, tanto nos países do Norte como nos do Sul, em detrimento da grande maioria da população. A defesa da soberania e da autodeterminação dos povos e da justiça social, econômica, ambiental e de gênero são a chave para o enfrentamento e a superação da crise, fortalecendo o protagonismo de um Estado livre das corporações e a serviço dos povos.

O aquecimento global é resultado do sistema capitalista de produção, distribuição e consumo. As transnacionais, as instituições financeiras, os governos e organismos internacionais a seu serviço não querem reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. Agora, tentam nos impor a “economia verde” como solução para a crise ambiental e alimentar o que, além de agravar o problema, resulta na mercantilização, privatização e financeirização da vida. Rejeitamos todas as falsas "soluções" para essas crises, como agrocombustíveis, transgênicos, geoengenharia e mercados de carbono, que são apenas novos disfarces do sistema.

A realização da Rio+20, no mês de junho no Rio de Janeiro, passados 20 anos da ECO 92, reforça a centralidade da luta por justiça ambiental em oposição ao modelo de desenvolvimento capitalista. A tentativa de esverdeamento do capitalismo, acompanhada pela imposição de novos instrumentos da “economia verde”, é um alerta para que os movimentos sociais reforcemos a resistência e assumamos o protagonismo na construção de verdadeiras alternativas à crise.

Denunciamos a violência contra a mulher, exercida regularmente como ferramenta de controle de suas vidas e de seus corpos, e o aumento da superexploração de seu trabalho, utilizado para amortecer os impactos da crise e manter a margem de lucros constantes das empresas. Lutamos contra o tráfico de mulheres e de crianças e o preconceito racial. Defendemos a diversidade sexual, o direito à autodeterminação de gênero e lutamos contra a homofobia e a violência sexista.

As potências imperialistas utilizam bases militares estrangeiras para fomentar conflitos, controlar e saquear os recursos naturais, e promover ditaduras em vários países. Denunciamos o falso discurso de defesa dos direitos humanos que muitas vezes justifica as ocupações militares. Manifestamos-nos contra a persistente violação dos direitos humanos e democráticos em Honduras, especialmente en el Bajo Aguan, o assassinato de sindicalistas e lutadores sociais em Colômbia e o criminoso bloqueio a Cuba – que completa 50 anos. Lutamos pela libertação dos cinco cubanos presos ilegalmente nos Estados Unidos, a ocupação ilegal das Ilhas Malvinas pela Inglaterra, as torturas e as ocupações militares promovidas pelos Estados Unidos e pela OTAN na Líbia e no Afeganistão. Denunciamos o processo de neocolonização e militarização que vive o continente africano e a presença da Africom. Nossa luta também é pela eliminação de todas as armas nucleares e contra a OTAN.

Expressamos nossa solidariedade com as lutas dos povos do mundo contra a lógica depredadora e neocolonial das indústrias extrativas e mineiras transnacionais, em particular, com a luta do povo de Famatina, na Argentina, e denunciamos a criminalização dos movimentos sociais.

O capitalismo destrói a vida das pessoas. Porém, a cada dia, nascem múltiplas lutas pela justiça social para eliminar os efeitos deixados pelo colonialismo e para que todos e todas tenhamos qualidade de vida digna. Cada uma destas lutas implica uma batalha de idéias o que torna imprescindíveis ações pela democratização dos meios de comunicação, hoje controlados por grandes conglomerados, e contra o controle privado da propriedade intelectual. Ao mesmo tempo, exige o desenvolvimento de uma comunicação independente, que acompanhe estrategicamente nossos processos.

Comprometidos com nossas lutas históricas, defendemos o trabalho decente e a reforma agrária como único caminho para dar impulso à agricultura familiar, camponesa e indígena e passo central para alcançar a soberania alimentar e a justiça ambiental. Reafirmamos nosso compromisso com a luta pela reforma urbana como instrumento fundamental na construção de cidades justas e com espaços participativos e democráticos. Defendemos a construção de outra integração, fundamentada na lógica da solidariedade e o fortalecimento de processos como a UNASUR e a ALBA.

A luta pelo fortalecimento da educação, da ciência e da tecnologia públicas a serviço dos povos, assim como a defesa dos saberes tradicionais se tornam inadiáveis, uma vez que persiste sua mercantilização e privatização. Diante disso, manifestamos nossa solidariedade e apoio aos estudantes chilenos, colombianos, porto-riquenhos e de todo o mundo que continuam em marcha na defesa de esses bens comuns.

Afirmamos que os povos não devem continuar a pagar por esta crise sistêmica e que não há saída dentro do sistema capitalista!

Encontram-se na agenda grandes desafios, que exigem que articulemos nossas lutas e que nos mobilizemos massivamente.

Inspirados na história de nossas lutas e na força renovadora de movimentos como a Primavera Árabe, o Ocuppy Wall Street, os “indignados” e na luta dos estudantes chilenos, a Assembléia dos Movimentos Sociais convoca as forças e atores populares de todos os países a desenvolver ações de mobilização, coordenadas em nível mundial, para contribuir com a emancipação e a autodeterminação de nossos povos, reforçando a luta contra o capitalismo.

Convocamos todos e todas a fortalecer o Encontro Internacional de Direitos Humanos em Solidaridad com Honduras e a construir o Fórum Social Palestina Livre, reforçando o movimento global de boicote, desinvestimentos e sanções contra o Estado de Israel e sua política de apartheid contra o povo palestino.

Tomemos as ruas a partir do dia 5 de junho, numa grande jornada de mobilização global contra o capitalismo. Convocamos a impulsionar a Cúpula dos Povos por justiça social e ambiental, contra a mercantilização da vida e em defesa dos bens comuns frente a la Rio+20.

Se o presente é de luta, o futuro é nosso!
Porto Alegre, 28 de janeiro de 2012
Assembléia dos Movimentos Sociais

sábado, 28 de janeiro de 2012

1ª Plenária Estadual da MMM/RJ de 2012 - dia 11 de fevereiro

Queridas  companheiras,

Nossa plenária será realizada dia 11 de fevereiro (sábado) e a programação será de 09h30min às 14h como definimos nas plenárias do ano passado. A Plenária será na CUT-RJ , que fica na  Av. Presidente Vargas 502, 15º andar, Centro, Rio de Janeiro.

Vamos mobilizar o máximo de companheiras  para o nosso reencontro  pois  temos muitas desafios e tarefas  para o ano que se inicia.

Atenção para a pauta e não se esqueça de trazer algo bem gostoso para lancharmos!

09h30min – Conversa Informal + Café da Manhã
09h45min - Dinâmica de Abertura da Plenária
10h – Divisão em Grupos para ler  textos sobre 08 de Março – grupos deverão debater o texto e propostas de ação em MARÇO de 2012.
11h30min– Apresentação dos Grupos e Aprovação das Atividades  referentes ao 8 de Março.
12h – Dinâmica de Mobilização.
12h15min – Informes da Rio + 20 12h30min – Divisão em Grupos para debater o tema Rio + 20
13h – Apresentação dos Grupos e Aprovação de Atividades  referentes ao tema
13h 30min – Considerações  finais, outros encaminhamentos necessários  de agenda e funcionamento em 2012, informes gerais ...
14h Dinâmica de Encerramento.

O lanche estará sendo servido a todo momento para que  cada uma vá pegar conforme tenha necessidade/fome. Não haverá uma parada pois a plenária não será de todo.

Convoquem outras companheiras, vamos todas juntas, mulheres em movimento mudar o mundo para mudar a vida das mulheres!

Seguiremos em Marcha! Até que todas sejamos livres!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Programação da MMM no Fórum Social Temático


Programação prioritária da MMM no Fórum no Fórum Social Temático em Porto Alegre:

Dia 24 de janeiro
15h - Marcha de Abertura Concentração no Largo Glênio Peres

Dia 25 de janeiro
9h - Feminismo e Ecologia: Mulheres em Luta contra o Capitalismo Verde
Local: Casa de Cultura Mário Quintana, Sala Lili Inventa o Mundo

13h30 – Plenária da Marcha Mundial das Mulheres
Local: Plenarinho Assembléia Legislativa, 3º Andar

Dia 26 de janeiro
10h - Construindo a democracia Real: democracia participativa e ferramentas digitais
Local: Auditório SindBancários: Rua General Câmara, 424, 3º andar

18h15 – Painel #OccupyWallStreet : Uma economia a serviço das pessoas
Local: Casa de Cultura Mário Quintana

Dia 27 de janeiro
9h – O controle corporativo do debate global sobre a crise climática e econômica: a luta global para desmantelar o poder das transnacionais
Local: Casa de Cultura Mário Quintana

13h – Alimentos – Produção – Consumo: Olhares das Mulheres sobre a Sustentabilidade
Local: Memorial do RS

17h – Conexões feministas: Nas Ruas e Na Rede!
Local: Casa de Cultura Mário Quintana

Dia 28 de janeiro
14h -  Assembléia dos Movimentos Sociais
Local: Usina do Gasômetro

17h -  Ato Publico Rumo à Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental – Contra a Mercantilização da Vida, em Defesa dos Bens Comuns!
Local: Usina do Gasômetro

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Marcha Mundial das Mulheres no Fórum Social Temático: Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental

Porto Alegre - 24 a 29 de janeiro de 2012

Fonte: panfleto da MMM para o Forum Social Temático
A Marcha Mundial das Mulheres é um movimento feminista internacional que luta para mudar o mundo e a vida das mulheres, integrando a construção dae igualdade e liberdade das mulheres às lutas por transformações globais na sociedade.

Frente à crise sistêmica que tem uma forte dimensão ambiental, o capitalismo se reapresenta com uma maquiagem verde, implementando mecanismos que fortalecem o mercado e retiram a soberania dos povos sobre seu território.

Existem muitos pontos em comum entre as estratégias e discursos de dominação da natureza, dos territórios e dos corpos das mulheres. Da mesma forma, existem paralelos entre a exploração da natureza, dos territórios e dos corpos das mulheres. Da mesma forma, existem paralelos entre a exploração da natureza e do tempo das mulheres: parecem inesgotáveis e flexíveis, e são usados como uma variável que pode ser ajustada fácil e continuamente, garantindo os lucros do mercado e a sustentabilidade da vida às custas do sobretrabalho das mulheres e da apropriação privada dos bens comuns.

No espaço do Fórum Social Temático, reforçaremos os processos de aliança dos movimentos sociais em luta contra o capitalismo que é racista e patriarcal, e que agora se apresenta maquiado de verde. A Assembléia dos Movimentos Soaciais será um momento para a construção da nossa agenda comum de lutas constra as transnacionais e por justiça climática e pela soberania alimentar, de enfrentamento à violência contra a mulher, e constra a guerra, o colonialismo e a militarização de nossos territórios.

Em 2012, essas lutas terão como momento de forte expressão a Cúpula dos Povos na Rio+20, os protestos contra o G8 e a OTAB, e o Fórum Social Palestina Livre!

Estamos em marcha contra a mercantilização da natureza, das nossas vidas e corpos. Afirmamos nossas alternativas desde a luta das mulheres: as verdadeiras soluções para a crise são construídas pelos povos!

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!